sexta-feira

ideograma

meias palavras sussurradas entre camadas de lençóis lânguidos como se a noite fosse sã o bastante para abrigar tamanha insanidade lúcida tão infinitamente lúcida e físico-química em toda a extensão balbuciante das coxas entre as coxas por entre meios lençóis de palavras lânguidas sumindo sutilmente no ar como bolhas de sabão perseguidas por uma criança a correr nas margens do lago formado no umbigo de um deus placidamente deitado nu sobre águas púrpuras da cor da pele das coxas por entre as coxas a refletirem suados néons solitários da exterioridade mundana que nada mais tem de real já que seduzida foi por organismos orgasmáticos na dança da vida frágil como o orvalho da manhã e no entanto lúcida tão infinitamente lúcida que é sem jamais chegar a ser

Um comentário:

Vi disse...

... e no jogo semântico entre o real e o não-real, "por que chamar de não-real?", você me pergunta. E eu te devolvo: "por que chamar de real?". Sem dicotomias platônicas - como diria Nietzsche - chamemos tudo de um nome só, SÃO um só! O problema é que Schopenhauer ainda cutuca o calcanhar: o que nisso tudo tem, digamos, potência, positividade, completude para ser chamado real? Bom... sem mais falar pela boca de outros, eu diria que seu "ideograma", esta idéia única dentro de um quadro libidinoso, este é o meu único real.
e obrigada por ele!
muitos beijos da sua...